FEV
08
  Ministras e presidentas
  por Denise De Rocchi
 

Minhas primeiras entrevistas com a ministra chefe da Casa Civil Dilma Rousseff foram feitas no início da minha carreira jornalística. Na época, ela era secretária estadual de Minas e Energia no RS, durante o governo Olívio Dutra. Era um desafio para quem estava começando, porque Dilma rebatia com firmeza qualquer informação errada que o repórter citasse. Demonstrava muito conhecimento sobre os projetos em que estava envolvida, mas também passava por antipática em várias ocasiões.

Neste fim de semana a encontrei de novo numa entrevista coletiva aqui em Porto Alegre, em que ela veio falar sobre o PAC (Plano de Aceleração do Crescimento). Ela continua firme nas respostas, mas já não parece tão braba quanto antes. Ao que tudo indica, passou por uma preparação para encarar as eleições presidenciais (embora diga que não é candidata a nada enquanto o partido não determinar isto oficialmente).

Um pouco mais ao sul temos outra mulher no poder, mas que não parece contar com a mesma assessoria de comunicação que a nossa ministra. A presidente da Argentina Cristina Kirchner tem comprado uma briga atrás da outra em seu país, de agricultores até presidente do Banco Central. Suas frases também não tem sido das mais felizes. Há uma semana, ela disse que em casa comia carne de porco para estimular a vida sexual. Ontem o marido dela, o ex-presidente Nestor Kirchner, foi levado às pressas ao hospital com problema nas artérias. Foi cômico ver na TV uma apresentadora perguntando ao correspondente se o fato tinha alguma ligação com a dieta do casal (ou quem sabe no que vem depois do porquinho assado)...

Na avaliação do colega argentino, o problema da dupla está no alto nível de stress diante de tantas brigas políticas. O porco, que não tem nenhuma pretensão eleitoral, respirou aliviado por ser deixado de fora dessa confusão.

   
 

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FEV
05
  Intolerante com a intolerância
  por Mariana de Freitas
 

Vocês viram (leram ou ouviram!) o que falou o senhor Raymundo Nonato Seiládoquê, general do Exército, sobre homossexuais nas Forças Armadas?

"Não é que eu seja contra o homossexual, cada um tem que viver sua vida. Entretanto, a vida militar se reveste de determinadas características que, em meu entender, tipos de atividades que, inclusive em combate, pode não se ajustar ao comportamento desse tipo de indivíduo”

Torço para que "este tipo de indivíduo" tenha TODAS as próximas gerações da família gays. Não estou rogando praga. É pra ele aprender que pessoas são pessoas independente da ORIENTAÇÃO SEXUAL. Sim, não é opção sexual. Não se escolhe, se tem preferências, se tem gosto, se tem instinto. Não é doença, não é defeito, não dá pra "arrumar"!

Me irrita um pouco quem fala "homossexual". O cara que mede palavras já evidencia um certo grau de preconceito. Ser politicamente correto é apenas uma vitrine. Importante mesmo é saber o que tem dentro do estoque da lojinha. Lá no fundo. Infelizmente, são poucas as pessoas que podem chamar de bicha um veado sem que a mana fique passada!

O genera quer uma vaguinha no Superior Tribunal de Militar, foi sabatinado numa comissão do Senado que aprovou por unanimidade o tiozinho, apesar destas opiniões estranhas. A decisão final depende de votação - secreta - no Senado.

"Não é que o indivíduo seja criminoso, mas é o tipo de atividade. Se ele é assim, talvez tenha outro ramo de atividade que ele possa desempenhar."

Oi?! Criminoso?! Se ele é assim?! Outro ramo de atividade?! Existe um catálogo dizendo onde homens devem trabalhar, onde mulheres devem trabalhar e onde veados devem trabalhar? Por exemplo, as universidades deveriam disponibilizar, no momento da matrícula, além da relação de candidato por vaga, o percentual de gays naquela área de trabalho. Nas agências de emprego, pedir "boa aparência" não pode, mas perguntar se é gay vai poder. E porque não criamos cotas?!?!?!? Mas temos um problema... sempre temos! Se os índios são preguiçosos e os negros merecem receber menos que os brancos, o problema dos gays é que eles não sabem mandar. Ó céus!

"Tem sido provado mais de uma vez, o indivíduo não consegue comandar. O comando, principalmente em combate, tem uma série de atributos, e um deles é esse aí. O soldado, a tropa, fatalmente não vai obedecer. Está sendo provado, na Guerra do Vietnã, tem vários casos exemplificados, que a tropa não obedece normalmente indivíduos desse tipo "

Meu chefe não me perguntou NADA sobre minha sexualidade quando me contratou. Seguindo a tese do milico, chego à conclusão que devo ser gay. Nem sempre me obedecem... Já sei! Lésbica em pequeno grau!

Aliás, o general sabe que homossexualismo não é coisa de homem, né? E AS soldados? Ele sabe que existem mulheres que gostam de mulheres, né? Chamam-se lésbicas, Sr. Raymundo. Mas são gays. Tudo é gay. Ficou claro, né? OK. Voltanto, a mulher-macho deve ter total competência para desempenhar os tipos de atividades do Exército.

Me irrita saber que as pessoas acham que isso NÃO é preconceito. Me irrita saber que as pessoas acham que gay tem que desmunhecar, ser delicado,  não tem força e que não dá porrada! Que as lésbicas precisam que parecer machinhos e são sempre feias! É a mesma coisa que achar que eu não vou bater em alguém porque sou mulher e minha unha está pintada de vermelho!

Gays estão em todos os lugares, há zilhões de anos, exercendo as mais variadas funções e com igual competência (e incompetência!) dos heteros. O que cada um faz entre quatro paredes,interessa somente a quem está entre estas paredes. Vivemos num país livre e democrático, dizem...

E quer saber? Sem ironia, eu sinceramente acho que a homossexualidade, bissexualidade, pansexualidade são evoluções da espécie humana. Seria o fim da

I-N-T-O-L-E-R-Â-N-C-I-A.

bjo,bjo

   
 

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FEV
01
  Órfãos que têm família
  por Denise De Rocchi
 

Juro que não é minha intenção ser repetitiva, mas não posso deixar de mencionar o Haiti de novo. Uma das notícias do dia é a prisão de americanos flagrados tentando cruzar a fronteira e chegar à República Dominicana com dezenas de crianças, sem documentos.

O grupo alegou fazer parte de uma igreja batista e disse que estava levando as crianças para adoção e que não sabia que a documentação era necessária. A UNICEF, o programa das Nações Unidas para a Infância rebateu a explicação: em qualquer lugar do mundo existem trãmites legais para se adotar alguém. Também foram levantadas acusações de que parte das crianças que seriam levadas ao país vizinho tem sim família (e uni-la é questão de tempo após o terremoto).

Este caso ilustra o que acontece em muito lugares. Pessoas movidas pela vontade de ganhar dinheiro ou pela crença de que vão salvar alguém da miséria burlam regras e retiram ilegalmente crianças de seus países. Uma excelente matéria da revista Foreign Policy do ano passado já denunciava casos assim. Casais americanos pagam em média 15 mil dólares para agências que prometem agilizar adoções internacionais. O que não sabem é que este dinheiro muitas vezes paga propina para funcionários corruptos "esquentarem" a papelada para levar a criança para outro país. Há casos inclusive de bebês que foram roubados das mães para este fim.

Especialistas em infância alertam que levar a criança embora desta forma, cortando vínculos com pais, tios ou avós que teriam condições de ficar com ela, é muito prejudicial. Além disso, que garantia temos de que alguém que compra ou rouba uma criança vai cuidar dela adequadamente? Que valores alguém assim prioriza? Sabemos que dinheiro não é tudo na criação de alguém. Se fosse, não teríamos tanto jovem de classe média ou alta envolvido em brigas, tráfico e outras atividades criminosas.

Em entrevista que fiz há algum tempo com o juiz da infãncia e juventude Daltoé Cezar, de uma das varas aqui de Porto Alegre, ele já dizia que a Justiça estava fazendo cada vez menos adoções internacionais. Como cresceu o interesse de brasileiros por adotar, a prioridade tem sido manter as crianças aqui, onde ela estão mais próximas dos seus valores culturais e onde as autoridades têm como acompanhar mais de perto o que é feito com ela.

   
 

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Alexandra Fiori
Aline Duvoisin
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Apolos Neto
Bárbara Micheline
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Elisandra Albuquerque
Fernando Dias
Lucia Rodrigues
Marcela D'Alessandro
Mariana de Freitas
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Renato Franco
Valeria Rodrigues
Walmor Parente





 
 
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